Mostrando postagens com marcador Elíseos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elíseos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A vingança de Eros: seduzido pelo brilho


Conheço várias pessoas que temem falar em público, e alguns que tem dificuldades de se expressarem através de palavras. Eu tenho uma dificuldade maior ainda, sou incapaz de falar com o coração e quando faço falo com os olhos e não com os lábios.
A racionalidade me fez um “ser frio e calculista”, que observar atentamente todos os seus atos e seus passos. A vida me fez insensível e talvez incompreensivo, entretanto não estou invulnerável aos descuidos e vacilos do coração.
Depois de alguns anos trancafiados em um castelo construído com pedras retiradas das margens do rio Aqueronte, onde a luz e os sentimentos apreciados pelos enamorados não me atingiam eu fui descoberto.
Um simples sorriso limou toda a escuridão que alimentava essa fortaleza, foi uma visita celestial. A principio eu ignorei, abandonei essa possibilidade nas margens do desespero. De nada me adiantaria mais uma ilusão, mais uma aventura. Entretanto Eros me fez o favor de levantar a gigantesca porta de ferro que dava acesso a meu mundo, ordenando a invasão do inevitável.
Aquele sorriso brilhante composto de lábios adocicados pelas ambrosias dos Deus certa noite aproximou dos meus que haviam sido mergulhados nas águas da angústia. Os olhos se encontram, faíscas cruzam o ar e em um determinado instante fomos paralisados pela dúvida do prazer passageiro que abre portas para a dor que dificilmente nos abandona. Palavras de encorajamento saiam de meus lábios e o encontro casual tornou-se puro e verdadeiro.
Minhas muralhas começaram a ruir, minha esperança de solidão abrira espaço para um sonho desconhecido. Deixei de ser Narciso e olhar para minha própria alma para contemplar um sonho nunca desejado ou imaginado.
A felicidade e a esperança caminhavam lado a lado rumo ao Elíseos. Porém as nuvens da insegurança e da necessidade de partilha transformaram as tardes claras de sol em noites tempestuosas de trovões.
Eis então que começou a vingança do deus travesso do amor. E o que era imensidão tornou-se apenas cárcere. Nesta prisão provei o sabor amargo da decepção e fui chicoteado por palavras mais rígidas que a lamina da espada do guerreiro Gabriel capaz de corta o mal.
Subitamente me deparei com um pesadelo que ainda vivo mesmo após acordar. Descobri que Eros me fizera viver sua história com Psique: um amor cheio de conflitos e reviravoltas.
Estou abandonado às margens do Aqueronte de onde tirei pedras para levantar  minha fortaleza impenetrável, isso tudo porque Eros acreditou que o fato de eu construir essa muralha não me fazia invulnerável e muito mesmo conhecedor do Tártaro.
Sei que não sou tão corajoso como Psique para adentrar aos reinos dos mortos, mas sei que sou capaz de sacrificar cada pulsar do meu coração por um sorriso teu.
Qual o homem que nunca errou? Qual o homem que nunca se enganou ao confiar de mais? O dom do perdão talvez seja maior que o do amor. Pois só é capaz de amar quem tem o dom de perdoar.
Esperança é muito mais que palavra é fé que tudo pode ser realizado. Nada é por acaso. Não me arrependo de todas as vezes que demonstrei de formas humilhantes este amor que um dia também desejou viver em meus braços frágeis. Ainda sinto o seu suspirar ofegante todos os dias quando apago as luzes e me abraço com a solidão que você deixou ao abrir as janelas e voar para seu reino em que sou apenas um observador calado.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Esperança trancafiada


    A beleza verdadeira está impregnada na alma
    Sua essência pode fluir naturalmente ou ficar trancafiada
    Na verdade somos por natureza iguais a Pandora
    Por curiosidade abrimo-nos ao novo com medo de sofrer
    Assim liberamos algumas das nossas próprias pragas internas:
    a angustia que nos faz sentir incapaz de ver o mundo com suas cores vivas;
    a incompreensão que nos impede de acreditar em sentimentos recíprocos;
    a ira que nos carrega à lugares cheios de corpos e vazio de companhia;
    a intolerância criada pelo medo de enxergar no outro suas próprias necessidades;
    E algumas vezes até mesmo a inveja em descobrir que quem se arrisca pode ser feliz
    Como recipientes esquecemos que a curiosidade e ambição de Pandora a delimitou
    E a impediu de descobri que lá no fundo estava a esperança.
    Esperança de conquistar o equilíbrio pessoal!
    Esperança de crescer como pessoa capaz de compreender ao próximo!
    Esperança de reconhecer que julgar os erros alheios não nos faz grande!
    Esperança de poder abrir os limites de nossas muralhas invisíveis!
    Esperança de que amar é dom, é gratuidade é espontaneidade!
    Devemos emanar o bem para conquistar o direito de levantar a bandeira da felicidade.
    Ser feliz depende somente do tipo de essência que você emana.
    Deixe então que sua felicidade tenha o aroma dos Elíseos.
    Trancafie os odores do Tártaro que seu medo exala.
   O amor é bálsamo e pode lavar sua alma e abri portas, basta deixar se envolver sem medo de ser feliz