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quinta-feira, 24 de maio de 2012

A liberdade condicionada: você com certeza também a vive


 A febre no momento é o filme ““Os Vingadores” que, por sinal, é uma das melhores adaptações de super-heróis da atualidade.
O filme inova no sentido de ideologia, ou seja, na maioria dos filmes, o caráter ideológico está exposto de maneiras subliminares no final do mesmo. Este não foge a regra, mas te leva a pensar desde o início.
O príncipe asgardiano Loki (o Deus da trapaça) em seu jogo de palavras e prepotência levanta o seguinte questionamento: a liberdade é algo falso sempre queremos ser livres, mas vivemos presos. Essa é apenas uma referência ele diz isto com outras palavras lógico.
Estaria o deus nórdico trapaceando ou expondo a verdade na face da população? Você realmente é livre? Quanto vale sua liberdade?
 O filósofo Rene Descartes coloca que nossa liberdade está ligada a nossa necessidade de duvidar, ou seja, muitas vezes não conseguimos definir nem mesmo quem somos como podemos afirmar que somos livres.
Todos querem ser livres, lutam por liberdade, mas sentem a necessidade de algo inexplicável chamado “atenção”. Se sou livre porque necessito de atenção?
Sua liberdade pode ser vista de forma positiva (espontânea), ou seja, você pode agir com naturalidade, até mesmo “falar o que der na telha”. Porém tua liberdade não transforma seu teto em algo impenetrável e ser livre desta forma te expõe e de certa forma você deixa de ter a atenção que deseja, porém essa liberdade pode passar a ter caráter de pré-julgamentos.
A liberdade muitas vezes está ligada a servidão ou submissão, um exemplo, você esta cansado de ter seus pais controlando sua vida, quer sua liberdade, se acha livre, mas é submisso a eles, pois ainda divide o mesmo teto que eles. Dai você decide: "vou casar e ser livre". Engano, você troca uma submissão por outra, entretanto uma que você optou por viver pois é livre para escolher.
Voltando a liberdade condicionada questionada por Loki, as pessoas se dizem livres, mas rendem graças a Deus quando têm alguém que possa cuidar delas. Exemplo: o irmão caçula que apronta todas as travessuras e provoca a todos porque sabe que o irmão mais velho irá defendê-lo de possíveis agressões geradas por sua liberdade exagerada. Loki mesmo em sua ganância sabe que no final o amor de seu irmão não deixará que o pior aconteça a ele.
Somos assim, como na ficção, queremos ser livres, mas buscamos sempre quem possa cuidar de nós. Por isso quando estamos carentes nos apaixonamos tão rápido por palavras ditas em vão. O erro não está nas palavras e sim na sua necessidade de ter uma liberdade condicionada.
Essa liberdade existe em vários locais na nossa sociedade, quantas não são as pessoas que se escondem atrás de instituições para se sentir bem. O alcoólatra, por exemplo, conhece sua fraqueza sabe que não pode beber o primeiro gole. E o que faz? Busca refúgio nos grupos de AA. Mas, me diz uma coisa, as pessoas caminham 24horas por dia com ele? Não ele é livre pode beber a hora que quiser! E por que não faz? Pois acredita que existem pessoas que o apoiam.
Você sabe o que são os super-heróis pela visão americana, seres extraordinários com poderes magníficos dispostos a lutar pelo bem e contra o mal. Porém, se existe o bem existe o mal ou vice-versa, ambos criados pelo excesso de liberdade.
Somos e sempre seremos presos em nossa liberdade, podemos enganar as pessoas ao nosso redor, mas jamais nos livraremos das amarras da nossa consciência. Seremos sempre como Peter Pan, um ser que expõe sua liberdade no medo de crescer, cria um mundo imaginário que não é o mais perfeito. Todavia a Terra do Nunca não o esconde de sua consciência. Por que não? Pois ele tem na Terra do Nunca duas formas de cobranças; a Wendy que de forma sutil sempre o lembra que ele precisa ter responsabilidade (o que implica em ser adulto e assumir sua liberdade condicionada) e o próprio Capitão Gancho, que tenta a todo custo se vingar de Peter, a vingança aqui pode ser interpretada como castigo consequência de um ato sem responsabilidade.
Loki está certo desta nossa falsa liberdade tanto que no final, o personagem Capitão América assume liderança de um grupo chamado de “Os Vingadores”, mostrando que precisamos de um capitão no leme de nossas vidas. Lógico que aí existe uma alusão que "os americanos tomam contam de nós". Em outras palavras a América impõe que sempre que precisamos de ajuda ela estará lá disposta a vingar os oprimidos. Saddam Hussein que o diga.
 Entretanto não devemos gritar pelos vingadores para nos salvar sempre que estivemos em perigo, temos que gritar para nosso subconsciente que nossa liberdade condicionada necessita de algo mais que atenção. Ela precisa de doses reais de amor correspondido que se transforma em engrenagem para movimentar nossas emoções. Então sua liberdade é diretamente dependente de sua felicidade.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Minhas várias personas


Hoje no serviço, tive que fazer um texto onde a seguinte pergunta era o foco: “Eu procuro por mim?”

E parei para pensar, eu faço texto buscando reflexões das pessoas. E eu o que tenho feito da minha vida? Será que tenho agido com coerência? Será que me reconheço?

Lembro que em minha adolescência (há muito tempo) alguém me indicou um livro que falava de uma patologia chamada de “Síndrome de Peter Pan”, e como era mencionado na obra alguém que sofresse aquela mazela não conseguiria ler por completo todo conteúdo. De fato não consegui, mas o estranho é que embora eu tente viver uma persona jovem, carrego em mim sintomas de uma pessoa sistemática, ranzinza e que não combina com essa minha persona.

Se eu me reconheço, bem posso afirmar que não sou tão ingênuo como Narciso que se apaixona por si próprio, mas também não sou tão experto como Athena para ter sabedoria de lidar com as piores das situações.

Recentemente eu vivencio algumas decepções, mas essas só aconteceram porque eu criei outra persona, que busca sempre estar atenta a tudo para não ser considerado o “burro” da vez. No entanto tive que lidar com algumas situações criadas por esse medo de ser julgado, ou seja, atrai pessoas que não davam valor a meus esforços.

A vida é assim, muitas voltas e sempre novas personas, hoje um pierot, amanhã um intelectual, outro dia um alguém sofrido. Essas personas vão surgindo de acordo com as necessidades. Certa vez escutei de uma pessoa que nunca fala coisa com coisa, mas que às vezes solta algo que mexe com o seu eu interior, e em uma dessas ocasiões escutei: “Todos temos duas caras, nunca vamos ser sincero demais, pois a verdade pode doer no outro, mas que em você mesmo”

Se eu me procuro, bem diariamente me esbarro comigo mesmo, seja em situações de ira, de reflexão, de harmonia ou de silêncio. Pois só é possível se encontrar quando essa busca te leva à escuridão da alma e lá sozinho se faz um balanço de consciência.

Qual seria minha vocação hoje, bem não seria Moisés, pois minha coragem anda meio em baixa, não seria Abraão, já que não tenho nenhum cordeiro para ofertar e nem Jeremias, pois não sou um exemplo de orador.

Talvez amanhã eu decida qual vocação a mais correta a seguir, pois hoje meus olhos já estão mais pesados que a minha consciência.